CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO na antologia BRUXARIA É TERRA
- donizelaedicoes
- há 3 dias
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A proposta
A Gaia é quem canto, de bons alicerces, que a tudo gerou,
A mais antiga, nutre todos que vivem no solo,
Para os que vagam ao longo da terra, os que habitam o mar
São todos nutridos na sua fortuna.
Tu és quem cede a fartura, senhora, de frutos e filhos,
E depende de ti dar os meios para a vida ou tirá-los
Mãe de todos os deuses, saúdo-te!
— Hino Homérico XXX - A Gaia, Mãe de Tudo
Assim como Gaia é a mãe primordial, a Terra é o princípio, o berço, onde se fecunda a vida. As bruxas tradicionalmente usam o elemento terra para transformar a natureza, utilizando seu poder e conhecimento dos estados físicos, psíquicos e intuitivos para modelar a realidade ao seu favor. Portanto, voltamos para ela (Gaia) como um resgate da mãe ancestral em busca da sua conexão com o sagrado e com a Deusa.
Bruxaria também é ir para debaixo da terra, acessar o submundo, o mundo de Perséfone e Hécate. Esse mundo das sombras que é um lugar de diálogo com o oculto e o onírico. É como a raiz de uma árvore, que está sempre nas profundidades sem contato com a claridade, mas que sustenta o todo. Para que as folhas tenham acesso a luz, a raiz precisa estar lá no fundo da terra, numa simbiose mágica e natural. É também através da terra que as raízes se comunicam, compartilhando sua sabedoria e protegendo umas às outras, da mesma forma como nós bruxas fazemos.
Na terra ancoramos nossa força matriarcal, força política que um dia foi da bruxa sacerdotisa, autoridade espiritual cujas decisões modificavam substancialmente a vida social. Quando o patriarcado declarou guerra às mulheres (e manteve por milênios até os dias de hoje), ser bruxa virou sinônimo de monstruosidade, horror e medo. Com a perseguição, nos fragmentaram em várias partes para manter o controle, afinal, poder espiritual é poder político. Se perdemos nosso espaço e prestígio nesses últimos dois mil anos, agora os tempos são outros, e voltamos como força motriz transformadora da consciência. Somos vetores da mudança e nossa escrita é feitiço vivo que nos alçará para um novo mundo, cheio de esperança. Gaia nos espera, Gaia se regenera com as bruxas da nova era.
“Bruxaria é terra" faz parte de uma série de antologias literárias que vincula grandes temas aos quatro elementos. Já foram publicados os livros “Idade é fogo" e “Gênero é água”. As obras dessa tetralogia são idealizadas pelo Coletivo Marianas, grupo que possui a missão de amplificar vozes que questionam normas sociais, convenções e estruturas de poder.
Envie seu texto para juntas escrevermos esse lindo grimório. Camila e Maria Vitória
Sobre materiais aceitos
Serão aceitos textos de todos os gêneros literários (poesia, conto, crônica, dramaturgia, ensaio) escritos por mulheres cis e trans. Os textos deverão ser enviados Word, fonte Arial 12, espaçamento 1,5, e deverão ter no máximo três páginas.
Também serão aceitas ilustrações P&B e coloridas, que deverão ser enviadas em alta resolução (com a ciência de que podem ser convertidas em escala cinza no miolo do livro).
É limitado o envio de 01 (um) arquivo (com os textos ou ilustração) por autora. Ademais, todos os materiais passarão pelo crivo das organizadoras para garantir que estejam adequados para publicação; que abordem a temática de maneira única e impactante e que estejam alinhados ao tema proposto.
Não serão aceitas colaborações com uso de Inteligência Artificial.
Sobre prazo e envio
O período para envio será de 27 de abril de 2026 a 21 de junho de 2026 (solstício de inverno). Os materiais devem ser enviados, junto de uma apresentação pessoal (mini bio), preenchendo para o e-mail:
Sobre a publicação e direitos autorais
O livro será impresso, publicado e distribuído pela Editora Donizela e as coautoras, pela cessão de direitos autorais, terão o desconto de 30% sobre o preço de capa pela aquisição (não obrigatória) de 1 (um) ou mais exemplares do livro impresso.
A coletânea é um livro coletivo e colaborativo e a aquisição dos livros pelas coautoras ajudará com os custos de impressão e catalogação.
Sobre as organizadoras

Camila Casalli é natural de São Paulo, mas mora em Curitiba desde 2021. É fotógrafa, comunicadora e assessora na Casa Civil do Estado do Paraná. No governo do Estado, entre outras atividades atua na produção do “Aqui na Casa”, podcast da Casa Civil, que agora, na sua terceira temporada está trazendo curiosidades sobre acontecimentos, símbolos e elementos importantes para a história e identidade do Paraná. Também foi finalista do Expocom Sul em 2024 na categoria curta-metragem de ficção com “Sofy”, filme escrito por ela para a disciplina de Audiovisual no curso de Comunicação Organizacional. Em 2025, Camila também dirigiu o curta “No Eclipse Ela Me Fez” produzido para o lançamento do livro “Apoteose” de Maria Vitória Rosa.
Maria Vitória Rosa é escritora, atriz, bruxa, mulher trans-lésbica e militante curitibana. Tem três livros de poesia publicados: “Poética Pandêmica, Hábitos Políticos” (2023), "No Limbo" (2024) e “Apoteose” pela editora Donizela, obra que aborda a ancestralidade dos arquétipos femininos e o culto às deusas antigas, com um hinário íntimo feito para cada uma delas. Em 2024, fez sua estréia como atriz e dramaturga no teatro com a peça "A Neta do Sol", uma adaptação de Medéia, bruxa que atravessa eras. Faz parte do Coletivo Marianas desde 2024.




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